01 março 2009

Macarrão ao molho sugo para dois


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A mesa antiga de madeira entregava ser de uma estirpe pomposa e sobre ela debruçava-se uma toalha de pano grossa, mais vermelha do que qualquer outra cor, com motivos culturalmente italianos que escondiam os anos que servia a milhares de turistas que já sentaram ali.
Paramos perto das duas da tarde para almoçar. Era um restaurante aconchegante e com muitas pessoas; panelas e salames pendurados no balcão principal. Eu gostava disso. Não dos salames, mas da atmosfera étnica que então me transportava levemente àquelas refeições gigantes com todos os membros da família que conseguíamos encontrar pela cidade.
Atrás de nossa mesa pude reparar que dois homens conversavam a respeito de algum assunto político. Um deles estava fora de minha visão, bem atrás de P, que sentava à minha frente. O outro, aparentemente mais velho expunha uma barba e cabelos compridos, brancos, muito brancos. Esse vezenquando falava em francês e tinha uma aparência recém saída de um abrigo para moradores de rua. Por momentos, eu e P fazíamos silêncio e tentávamos entender algumas de suas ideias. A conversa claramente estava interessante, visto que os dois homens mostravam-se exasperados em expor suas opiniões. O senhor que eu não conseguia enxergar muito bem, por vezes pronunciava-se em espanhol - julguei que seria para que seu companheiro de mesa o entendesse melhor.
Ali, naquele restaurante peculiar, rodeado por diversas culturas que não as nossas, eu senti que nos unimos em uma fórmula que poderia dar certo. A comida assemelhava-se a de minha avó materna.

2 comentários:

Rossano Snel disse...

engraçado isso.
pior que sabe que "qüiproquó" é uma palavra que estava na minha cabeça desde a semana passada?
estava até pensando em compôr uma música com esse nome...

carilevi disse...

ah, quiproquo nao tem mais trema.. nao ne?
bom, eu nao tenho no meu teclado de qq maneira.. ta, mas nao era isso que eu ia dizer..
perai...