28 outubro 2008

Meios

Há o A e o Z, e isso nada tem a ver com começos e finais.

Inevitavelmente, o A e o Z não devem se encontrar. Possivelmente nem saibam da existência um do outro. Incrivelmente embarcam em uma mesma linha contínua, a mesma.

Sorrateiramente ocupam um espaço enorme, o mesmo, onde só há lugar para o A ou o Z. Inevitavelmente eles não devem se encontrar.

Acontece que o A criou o parágrafo. E o Z quer dar continuidade. Mal sabe o Z, que o fim lhe pertence, não o meio. E ao A, só lhe resta abrir a porta e esperar a banda passar. Uma vez dado o pontapé, o lugar nunca pára de doer.

E assim foi, por um longo tempo entre o A e o Z. Que não sabiam de si ou de um elo que os ligava. Mas a conexão era explícita, vista de fora e de lado.

Enquanto o Z abusava de tentativas condensadas em ideais afirmados, o A olhava para fora da janela, sem prestar atenção.

Um dia, fora surpreendido com uma nova paisagem. E não agradou os sentidos. Fez menção de buscar o que havia lhe faltado, mas já era sabido por todos os lugares que o A havia perdido para sempre aquele jogo infinito de trilhar um caminho até o ponto final que, infelizmente, fixara morada por detrás do domínio de Z.



Um comentário:

Júnia disse...

Vocé realmente boa. Muito boa.


Ops, hi there!

:)