09 fevereiro 2009

E a parede

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- Os que se arriscam em criar alguma história, a contam mais ou menos assim...:

Havia acordado de uma noite mal dormida - dessas que enrugam nossos cantos dos olhos antes do tempo - fazendo manha, birra, querendo encostar a barriga pesada no colchão velho por mais um tempo; quando, de mansinho, foi entrando uma espécie de som-não-identificado por algum buraco na parede que, até então, ela não sabia que existia. Abriu os olhos vagarosamente, não deu muita importância mas começou a levantar pelas beiradas da cama, engatinhando pelos lençóis até aquele ruído que vinha não se sabe de onde. De quatro, na cama, ela apertou o olho esquerdo e fixou o direito num pequeno orifício entre um quadro e a janela, tentando enxergar algo com aquela visão embaçada e confusa de um amanhecer um tanto quanto conturbado. Não via nada; ou melhor, um horizonte branco onde pensara ser o quarto dos fundos, que faz divisa com o seu através dessa parede. Nem sombras, nem formas, nem vozes: aquela música alienígena (pensou) propagava-se agora em alta escala e a fazia balançar a cabeça de leve, ritmada, entregue àquela situação inusitadamente deliciosa. Não viu mal em levantar correndo, tropeçar nos sapatos largados no chão na noite anterior, abrir a porta do quarto em busca de um porrete ou algo parecido. Encontrou um martelo nunca antes usado. Bateu com força repetidamente na parede, na ânsia de que a música acabasse antes que ela pudesse senti-la mais de perto e seu corpo imerso naquela realidade leitosa onde ninguém poderia vê-la nem tocá-la.
Das batidas surgiu um espaço grande o suficiente para que ela caísse pra dentro. E assim o fez, destemida, encorajada por um tipo de melodia até hoje indecifrável. O som continuara por mais um tempo até que o buraco na parede desaparecera sem deixar vestígios.

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3 comentários:

Rossano Snel disse...

O.o

bom isso..!
ah, e não precisa se sentir culpada.
=P
aliás, ouviu a música que eu pus em homenagem à tranquilidade do fim de semana no meu blog?

munny disse...

maaaaaaaana
mana aqui sem ar nem baforadas de cigarro.
agsdrtadstradsa

como fas textos e templates tão bonitos/ Oo

munny disse...

nossa, como eu ainda não tinha lido o do dia em que matei minha família???

parece muito com o poema lá que eu adoro, do henrique do vale, uma flor num buraco de calçada (acho).